ESG é uma das principais tendências que influenciará as relações de trabalho no mercado brasileiro nos próximos anos. O pilar Social da Agenda ESG é o mais desafiador para as empresas, pois envolve pessoas, valores e cultura organizacional.
Os indicadores Sociais em ESG são centrados em como a empresa se relaciona com seus stakeholders. Temas como gestão de pessoas, direitos humanos, cadeia de valor, diversidade e inclusão são algumas das dimensões prioritárias.
No novo mundo do trabalho decorrente da pandemia de Covid-19, saúde mental e a maneira como as empresas lidam com questões sociais importantes para seus funcionários são os novos paradigmas em gestão de pessoas. Riscos na relação entre empregadores e funcionários podem ser considerados riscos ESG, na medida em que se materializam em impacto financeiro, por meio da redução de produtividade e do aumento do custo trabalhista.
Saúde Mental – um risco ESG
O aumento dos afastamentos do trabalho por distúrbios emocionais, como burnout e depressão, reforça a importância dos cuidados com a saúde mental dos funcionários nas organizações.
Desde 1º de janeiro de 2022, a Síndrome de Burnout passou a ser classificada pela World Health Organization como um “fenômeno ligado ao trabalho” (CID-11), e não mais como uma condição de saúde. Empresas que não priorizarem programas de promoção e prevenção da saúde mental dos seus funcionários podem ser mais sucetíveis a problemas trabalhista, de produtividade e de aumento do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), com impactos financeiros para a organização.
O que é Burnout?
A Síndrome de Burnout ou do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é o excesso de trabalho. Saiba mais sobre os principais sintomas, diagnóstico e tratamento para Síndrome de Burnout.
O contexto da saúde mental no Brasil 🇧🇷
De acordo com a Pesquisa Vigitel Brasil 2021 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada em abril de 2022 pelo Ministério da Saúde, em média 11,3% dos brasileiros relatam um diagnóstico médico de depressão. Número acima da média global, de 5,3% (OMS). É a primeira vez que esse levantamento anual sobre saúde nas capitais traz números da depressão, que se relacionam com os efeitos da pandemia, aumento das demandas contemporâneas, melhoria nos diagnósticos e redução dos preconceitos que cercam a doença.
Problemas de saúde mental podem levar ao absenteísmo, baixa produtividade e alta rotatividade dos funcionários
O olhar da saúde mental com um enfoque estratégico em gestão de pessoas deve se debruçar especialmente sobre as lideranças, o que demanda ações de sensibilização e capacitação. O tema no trabalho ainda é tabu para muitas lideranças e precisa ser desmitificado.
Líderes Empáticos podem influenciar decisões de trabalho flexível, extensão da jornada, sobrecarga de trabalho e horário das reuniões. Horário de almoço deve ser respeitado. Palestras e ações pontuais não são suficientes para gerir os riscos.
Um programa de saúde mental demanda o estabelecimento de KPIs e o acompanhamento dos resultados das iniciativas por meio de inteligência de dados.
E isso requer muito mais do que uma política de benefícios que inclui sala de descompressão, sessões de ioga e meditação na hora do almoço, palestras e atendimento psicológico.
Outro fator importante é que as pessoas estão mais cientes sobre o contexto de saúde mental e mais criteriosas na escolha da empresa para trabalhar. É cada vez mais comum em processos seletivos não só a empresa falar o que é esperado do candidato, mas também o candidato falar sobre sua expectativa no trabalho. Propósito e cultura organizacional, valorização do bem-estar e liderança empática são questões cada vez mais importantes na atratividade e retenção de talentos.
Saúde mental é importante e programas efetivos trazem resultados positivos para os negócios
💡 Organizações que compreendem as oportunidades em estabelecer programas preventivos e ações focadas em saúde mental e bem-estar tendem a minimizar riscos de absenteísmo e rotatividade, geram maior engajamento, produtividade, satisfação e felicidade no trabalho. Essa é a lógica do Capitalismo Consciente, e que direciona empresas e lideranças humanizadas. Uma agenda de oportunidade de negócios para as organizações, onde todos ganham. Bom para o empregador e para seus funcionários.
📣 Como a empresa onde você trabalha lida (ou não) com questões relacionadas a Saúde Mental e Síndrome de Burnout? Quero saber sua opinião nos comentários.

