Os riscos e os impactos econômicos, sociais e ambientais da crise planetária, potencializados pela maior percepção sobre os problemas complexos e sistêmicos, colocaram a Agenda ESG na prioridade das discussões das lideranças nos últimos anos.
hashtagESG– a sigla em inglês se refere a questões ambientais, sociais e de governança corporativa. Trata-se de uma estratégia de longo prazo baseada em temas materiais para uma organização, com foco na mitigação de riscos e criação de oportunidades em negócios sustentáveis.
Nesse artigo discuto sobre o pilar Governança na Agenda ESG.
O que é Governança Corporativa?
Segundo o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. Transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade corporativa são os princípios básicos de governança, que geram valor de longo prazo para as organizações.
Governança na Agenda ESG
Empresas que apresentam boas práticas de governança corporativa tendem a melhor gerir seus impactos socioambientais, que levam a mudanças sistêmicas na gestão. Os fatores de governança da Agenda ESG deveriam estar na centralidade das decisões em negócios sustentáveis.
No entanto, as discussões e práticas têm focado mais em temas relacionados a risco climático, direitos humanos, diversidade e inclusão, do que em governança, comparativamente. E isso pode levar a uma confusão sobre a natureza e o papel da governança na avaliação de riscos ESG.
Segundo o Global Future Council on Transparency and Anti-corruption do World Economic Forum, por trás de cada violação dos compromissos ambientais ou sociais de uma empresa está uma governança corporativa ineficaz, sejam práticas anticorrupção inadequadas, estruturas de incentivo perversas, atividades de lobby contraditórias ou lideranças mal preparadas. Além disso, a governança corporativa pode afetar a integridade e o reporte dos indicadores ESG.
Um sistema de governança corporativa eficaz é essencial para mitigar riscos ESG, promover mudanças sistêmicas e criar oportunidades em negócios sustentáveis.
Há uma “crença” disseminada no mercado de que as grandes empresas, em especial as de capital aberto, apresentam boa performance em governança por conta das exigências do formulário de referência da CVM e dos requisitos para participar no Novo Mercado ou em outros segmentos de listagem na B3. Na prática não é bem assim. Ainda precisamos avançar muito no pilar Governança da Jornada ESG.
Como avançar na Governança em ESG?
O World Economic Forumpropõem uma lista com 13 fatores e diversos indicadores que deveriam ser inclusos no “G” da Agenda ESG A proposta visa contribuir com o desenvolvimento de métricas comuns e consistentes, por meio de um framework para reporte e criação de valor sustentável nas organizações. Confira:
- Ética nos Negócios:propósito, valores, cultura, integridade além de compliance, integração ESG, indicadores-chave de desempenho (KPIs) e reporte
- Composição do Conselho: competências, diversidade, estrutura, comitês, capacidade de supervisão e independência
- Liderança Corporativa: conhecimento, experiência, liderança, remuneração, processos decisórios, independência e capacitação na gestão de compliance
- Gestão de Riscos e Crises: mitigação, desempenho histórico, conformidade regulatória, segregação de funções, independência de auditoria, direito dos acionistas, governança da informação e segurança cibernética
- Alocação de Recursos: alocação de capital, alocação de pessoal, fusões e aquisições
- Estruturas de Incentivo: remuneração, promoção, estruturas de reporte, definição de condutas proibidas e medidas disciplinares
- Responsabilidade Política: lobby, financiamento de campanhas e contribuições políticas
- Transparência: responsabilidade, subsidiárias/holdings, contratos abertos, lobby, doações filantrópicas, países de operação e verificação de reportes
- Anticorrupção e Integridade: treinamento e comunicações, protocolos de denúncia, due diligence, avaliação de riscos, compras públicas, relações governamentais, presentes e entretenimento, conflitos de interesse, política de remuneração e de pagamentos, registros internos, controles financeiros, relatórios e contabilidade, obrigações contratuais, compromissos públicos, incidentes passados, investigação interna e remediação
- Estratégia Fiscal: conformidade, antielisão fiscal e reporte
- Práticas Competitivas Justas: contra conluio, exclusão, monopólio e coerção, estratégia de preço baseada no mercado
- Engajamento de Stakeholder: compreender o impacto corporativo e as prioridades dos stakeholders, buscar práticas centradas nos stakeholders
- Gestão da Cadeia de Valor: integração ESG, transparência, obrigações contratuais, países de operação
📣 O que achou dessa proposta de indicadores de Governança do WeF para avançarmos na Agenda ESG? Quero saber sua opinião nos comentários.

