A transição energética no setor de #mobilidade é necessária para a descarbonização da economia. Os automóveis são a segunda categoria de veículo que mais emitem gases de efeito estufa, respondendo por 31% das emissões do setor de transporte em 2021 no mercado brasileiro, só ficando atrás dos caminhões, com 42% das emissões (Seeg, 2023).
No Brasil, a tecnologia mais sustentável é o híbrido flex da Toyota do Brasil. A avaliação do ciclo de vida é uma ferramenta estratégica para entender quantitativamente o impacto das emissões dos automóveis. O conceito “do poço à roda” tem sido amplamente discutido no setor de veículos leves, cujo objetivo é avaliar as emissões na produção dos combustíveis e do uso do automóvel.

Mobilidade elétrica
A mobilidade elétrica é um caminho sem volta no mundo. O fim das operações da Ford Motor Company em Camaçari (BA), e a chegada da chinesa BYD Brasil assumindo a fábrica local para a produção de veículos elétricos e híbridos, evidencia a força e investimento do setor privado, e os novos rumos no mercado de mobilidade global.
Principais desafios da mobilidade elétrica no Brasil:
- Infraestrutura de recarga abrangente
- Baixa autonomia das baterias
- Preços altos dos carros
- Ausência de uma política nacional de mobilidade elétrica
No transporte de pessoas e cargas, políticas públicas devem se construídas a partir da análise de alternativas em eletrificação e uso de combustíveis renováveis (biodiesel, etanol, biogás, hidrogênio verde). Vantagens comparativas de cada país devem ser consideradas para a descarbonização do setor, com visão de longo prazo.
A exemplo da China, a transição energética no setor de mobilidade, com foco na eletrificação dos veículos, contou com uma agressiva política de subsídios para o setor privado e consumidores. Construção de infraestrutura para recarga das baterias, acesso a insumos para a indústria, subsídios em peças, alto investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação foram algumas das iniciativas do governo chinês. Além disso, linhas de crédito subsidiadas foram ofertadas para quem comprava o primeiro carro e subsídios para compra de veículos híbridos.
Resultados
🚘 ⚡os veículos elétricos representam um quarto de todos os automóveis de passageiros vendidos na China em 2022, e a taxa de penetração deve chegar a 90% até 2030 (HSBC)
🚘 ⚡a China detém 20% de participação no mercado global de carros elétricos, que deve saltar para 33% até 2030 (UBS)
Importante considerar que a transição tecnológica de veículos a combustão para motores elétricos não será a panaceia para a crise ambiental e climática.
Há muitos desafios a serem superados, incluindo os impactos socioambientais da mineração do lítio e o descarte seguro de baterias. O #lítio, conhecido como o “petróleo do futuro” pelo potencial de substituição do motor a combustão, é usado em baterias de carros elétricos. Trata-se de um metal estratégico por ser leve, poder armazenar muita energia e ser recarregado repetidamente.
Os “custos ocultos” da mineração do lítio estão sendo considerados pelos atores públicos e privados dessa cadeia?
Os impactos ambientais são significativos, incluindo o uso intensivo de água e energia, a contaminação de cursos d’água, a poeira e o resíduos tóxicos, a modificação da paisagem, o aumento da pressão nos ecossistemas e o impacto ambiental cumulativo.
Outra questão importante sobre o lítio é centrada na logística reversa, em como garantir que as baterias sejam recuperadas no final da sua vida útil.
A transição justa para uma economia de baixo carbono deve considerar o impacto de uma nova tecnologia no setor de mobilidade, considerando a cadeia de valor de ponta a ponta. E isso inclui o impacto de atividades extrativistas, como do lítio, no bem-estar e na saúde. Não dá mais para resolver problemas criando outros.
Imagem destaque de ©Elektronik-Zeit via Canva.com

